Contos de Swing

Conto Erótico de Swing: A Primeira Vez que Dividi a Cama

O Silêncio dos Sete Anos

Existem noites que reinventam um casamento em vez de o partirem. Este conto erótico de swing narra a primeira vez em que dividi a cama com outro homem — e como o desejo pelo meu marido renasceu, estranhamente, do medo que tive de o perder.

Há um tipo de silêncio que se instala entre um casal depois de sete anos juntos, e não é o silêncio confortável das pessoas que se conhecem. É o silêncio de quem já disse tudo, já tocou tudo, e agora repete os gestos como quem ensaia uma peça de que decorou cada linha. Bruno deitava-se ao meu lado numa sexta-feira de outubro, o teto do quarto iluminado pela luz alaranjada do poste da rua, e respirava devagar. Eu conhecia aquele ritmo. Era o ritmo de quem quer dizer qualquer coisa e não sabe como começar.

Senti a mão dele procurar a minha por baixo do lençol. Os dedos estavam quentes, um pouco húmidos. Apertou com força, como quem pede permissão antes de falar.

— Marta — disse ele, e a voz saiu baixa, quase partida. — Pensei numa coisa. Uma coisa que talvez tu ache maluca.

Virei-me para ele. A barba por fazer, os olhos castanhos com aquela mancha dourada no esquerdo que eu amava desde os vinte e três anos. Esperou. Eu esperei também. Fora de portas, um cão ladrava para nada.

— Conheço um sítio — continuou ele. — Um clube. Não é o que tu estás a pensar. Ou talvez seja exatamente o que tu estás a pensar. Quero que vejamos juntos. Só para ver. Sem compromisso.

Eu já tinha ouvido falar desses lugares. Sempre achei que eram para outros, para gente com problemas, para casais que já não se desejavam. Mas naquele momento, com a mão do Bruno na minha e o coração a bater num sítio estranho — não no peito, mais abaixo, entre as pernas — percebi que talvez o problema fosse outro: desejávamo-nos demasiado e tínhamos medo de o admitir.

— Quando? — perguntei.

Ele soltou o ar que estava a segurar há talvez minutos. Sorriu. E naquele sorriso reconheci o rapaz de quem me apaixonei, o que me pediu em casamento debaixo de chuva, o que me faz rir até doer. A diferença é que agora o desejo dele tinha um cheiro novo, elétrico, proibido.

A Noite no Veludo

O clube chamava-se Veludo e ficava numa rua discreta, sem cartaz, só uma porta preta e uma campainha. Entramos de mãos dadas como duas crianças a atravessar a floresta. Por dentro, era mais elegante do que eu imaginara: luz baixa, cortinas de veludo bordô, um cheiro de sândalo e vodka que se misturava no ar quente. Música lenta, um jazz preguiçoso. Pessoas bonitas, vestidas com cuidado, que nos olhavam sem pressa.

O barman serviu-nos dois copos de qualquer coisa doce e gelada. Eu mal senti o sabor. O meu corpo inteiro estava atento a cada detalhe: a maneira como uma mulher alta de vestido verde encostava o copo nos lábios, como o homem ao lado dela lhe tocava a nuca com dois dedos apenas, como alguém ria baixinho no fundo da sala. Tudo era convite. Tudo era pergunta.

Bruno passou o braço pela minha cintura e puxou-me para si. Senti a ereção dele contra a anca e isso surpreendeu-me — não pela ereção em si, mas pela pressa, pela necessidade. Há muito que não o sentia tão duro, tão impaciente. Fechei os olhos um segundo e deixei que a mão dele subisse pelo meu flanco até à curva do seio.

— Estás bem? — sussurrou ao pé do meu ouvido.

— Estou — respondi, e era verdade, embora “bem” fosse uma palavra pequena demais para o que sentia. Estava viva, desperta, com a pele toda em brasa.

Clara e Diego

Foi aí que eles se aproximaram. Clara tinha cabelo curto, preto, os olhos verde-escuros de quem nasceu para ser notada. Diego era mais alto, ombros largos, sorriso fácil e um anel de prata no polegar. Dançámos, os quatro, sem combinação nenhuma, como se a música nos tivesse empurrado uns para os outros. Primeiro eu com o Bruno e Clara com o Diego. Depois, sem que ninguém dissesse uma palavra, trocámos.

A mão de Diego na minha cintura era diferente da do Bruno. Mais lenta, mais calculada, como se medisse cada centímetro de pele que tocava. Clara, do outro lado, ria para o Bruno e inclinava a cabeça para trás, oferecendo o pescoço. Vi o meu marido beijá-la ali, na base da garganta, e o estômago deu um salto estranho — não de ciúme, não exactamente. De excitação. Uma excitação suja, funda, que me fez apertar as coxas.

Diego percebeu. Baixou os lábios até ao meu ouvido.

— Gostas de ver — disse, e não era pergunta.

— Nunca tinha experimentado — confessei, e a minha voz saiu rouca, irreconhecível.

Ele sorriu contra o meu cabelo. Quando voltei a olhar, o Bruno tinha a mão de Clara por baixo da camisa e os olhos fechados. E, pela primeira vez na vida, ver o meu marido com outra mulher não me destruiu. Ateou-me.

A Primeira Troca

Subimos as escadas juntos, os quatro, sem ninguém precisar de propor. Havia quartos no andar de cima, cada um com uma porta entreaberta e uma luz cor de vinho. Escolhemos um que tinha uma cama grande, lençóis escuros e velas acesas numa prateleira. O cheiro de sândalo era mais forte ali, quase adocicado.

Clara beijou-me primeiro. Simples assim. Os lábios macios, o gosto a morango de qualquer batom, a língua que procurou a minha com uma doçura que me desarmou. Enquanto isso, senti as mãos de Diego nos meus ombros, a descer as alças do vestido, e por trás de mim o Bruno já desfazia o fecho. Estava nua entre três pessoas e, em vez de vergonha, senti uma espécie de liberdade feroz, de quem finalmente larga uma máscara que usou durante anos.

Deitei-me na cama e o Diego veio por cima de mim, a boca descendo pelo meu pescoço, pelos seios, pela barriga, com uma paciência que me deixava louca. Ao lado, o Bruno deitava a Clara e entrava entre as pernas dela devagar, olhando para mim por cima do ombro. Os nossos olhares cruzaram-se. Nesse segundo entendi tudo o que precisava de entender: não estávamos a trair-nos. Estávamos a encontrar-nos de uma forma que nunca tínhamos conseguido sozinhos.

O Quarto Vermelho

A boca do Diego chegou onde eu queria e o mundo estreitou-se a um ponto quente. A língua dele era certeira, ritmada, alternando a pressão de um modo que me fez agarrar os lençóis e arquear as costas. Eu gemia, sem pudor, e ouvia ao longe os sons de Clara, o respiro ofegante dela, o murmúrio do Bruno dizendo coisas que eu não distinguia mas que reconhecia pelo tom — era o tom que ele usava comigo, e ouvi-lo com outra mulher foi como ver um quadro que eu achava conhecer revelar uma camada escondida.

Quando Diego finalmente me penetrou, foi devagar, respeitando o meu corpo, lendo cada franzir de sobrolho, cada suspiro. Preencheu-me de um jeito diferente — não melhor nem pior que o Bruno, só diferente, estranho, deliciosamente estranho. Agarrei-me aos ombros dele e abri mais as pernas, e a cama balouçava suave sob nós quatro como um barco numa maré morna.

Olhei para o lado. O Bruno tinha a cabeça inclinada para trás, os olhos fechados, as mãos de Clara cravadas nas costas dele. Gozou com um gemido longo que eu conhecia melhor que qualquer música, e ouvir isso enquanto outro homem me possuía levou-me junto, num orgasmo que me percorreu da planta dos pés ao topo da cabeça, deixando-me tonta, húmida, feliz de um modo que não sabia nomear.

Troquei de lugar com Clara no meio da noite, sem que ninguém pedisse, movida por uma curiosidade que não sabia que tinha. Deitei-me ao lado do Bruno enquanto ela se enroscava em Diego, e beijei o meu marido com a boca ainda húmida de outro. Ele abriu os olhos, surpreendido, e depois sorriu contra os meus lábios e puxou-me por cima dele. Entrei devagar, senti-o fundo, e cavalguei olhando-o nos olhos enquanto Clara gemia ao nosso lado. Havia qualquer coisa de sagrado naquela sujidade, naquela mistura de corpos e suor e murmúrios. Não éramos quatro estranhos a partilhar uma cama. Éramos quatro pessoas a lembrar-se, ao mesmo tempo, de que o corpo é a única língua que não mente.

Depois houve silêncio. Os quatro deitados, ofegantes, o suor a arrefecer na pele. Clara acariciou-me o braço e Diego beijou-me a testa, um gesto quase paternal, gentil. Do outro lado, o Bruno estendeu a mão e segurou a minha por cima dos lençóis amassados. Apertou. Eu apertei de volta.

De Manhã, Ainda Éramos Nossos

Saímos do Veludo pouco antes das quatro da manhã. A rua estava molhada de uma chuva que não tínhamos ouvido cair. O ar frio bateu-me no rosto e eu ri, uma risada tola, solta, de quem acabou de saltar de um avião e descobre que o paraquedas abre. O Bruno riu também, e entrámos no carro ainda a rir, sem saber bem do quê.

Ele conduziu em silêncio durante uns minutos. Depois estacionou numa rua qualquer, perto de casa, e desligou o motor. A luz do tablier iluminava-lhe metade do rosto.

— Estás arrependida? — perguntou, e desta vez a voz dele era a do homem que tinha medo, não a do que tinha coragem.

Pensei na noite toda: na boca de Clara, nas mãos de Diego, no gemido do Bruno, na maneira como a minha mão encontrou a dele no fim. Pensei em como, durante sete anos, tínhamos confundido segurança com tédio, fidelidade com prisão. E pensei que, pela primeira vez em muito tempo, tínhamos sido honestos um com o outro — não com palavras, mas com o corpo inteiro.

— Não — disse eu. — Estou viva.

Ele sorriu. O mesmo sorriso da noite em que me pediu em casamento, mas com uma sombra nova, mais adulta, mais perigosa. Inclinou-se e beijou-me, e a boca dele sabia a mim e a outra pessoa, e isso não me incomodou. Pelo contrário. Puxei-o pela camisa e, no banco de trás do carro parado numa rua vazia, fizemos amor nós os dois, sozinhos, como há muito não fazíamos — com fome, com pressa, com a lembrança do quarto vermelho ainda colada à pele.

Se me perguntassem na manhã seguinte se voltaria, não saberia responder. Sei que acordei com o braço do Bruno em cima de mim e o sol a entrar pelas frestas da persiana, e que o silêncio entre nós já não era o de antes. Era novo. Tinha cheiro de sândalo e um sabor a começo. E pela primeira vez em sete anos, não sabíamos o que ia acontecer a seguir — e era exactamente isso que nos tornava, de novo, irresistíveis um para o outro.

Três Verdades que Levei daquela Noite

  1. Trocar não significa perder. Ver o Bruno com a Clara devolveu-me a vontade dele com uma força que o hábito tinha adormecido durante meses.
  2. O ciúme e o tesão moram no mesmo lugar do corpo. Só aprendi a distinguir os dois depois de os sentir ao mesmo tempo, no quarto vermelho.
  3. Um casamento não se protege fechando todas as portas, mas escolhendo juntos quais vale a pena abrir — e com quem.

Esta é uma obra de ficção. Se gostaste deste conto erótico de swing, descobre mais histórias de desejo e troca:

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