Contos de Vizinhos

Conto Erótico de Vizinhos: O Corredor às Três da Manhã

Acordei com o som de uma porta batendo no corredor. Não era incomum — o prédio era antigo, os batentes estavam tortos desde antes de eu me mudar para o apartamento 402. Mas aquele som tinha algo diferente. Era uma ansiedade, um recomeço. Alguém novo estava chegando ao andar de cima.

Eu me arrastei até a janela e vi um caminhão de mudança parado na calçada. Duas carregadores subiam caixas pela escada estreita enquanto uma mulher observava tudo de braços cruzados. Morena, cabelos compridos amarrados num coque frouxo, camiseta larga e short jeans. Do meu ângulo, só podia ver o contorno do corpo — ombros largos para uma mulher, cintura marcada, pernas longas e morenas.

Ela olhou para cima, como se sentisse meu olhar, e eu recuei da janela como um adolescente pego em flagrante.

O Terraço do Prédio

O nome dela era Lídia. Descobri no primeiro dia, quando a condominial deu aquele aviso na portaria: “Nova moradora apto 502 — Lídia Monteiro.” O prédio era pequeno, dez andares, três apartamentos por andar. Eu vivia ali há dois anos e conhecia todo mundo — ou achava que conhecia.

A primeira vez que conversamos foi na segunda-feira seguinte, no elevador. Eu voltava do trabalho com uma sacola de supermercado e ela entrava no quarto andar com um potinho na mão.

“Desculpa, você é do 402, né?” Ela perguntou, segurando a porta aberta com o pé.

“Sim. E você do 502, imagino.”

“Lídia.” Ela estendeu a mão livre. O toque era firme, os dedos finos. “Acabei de me mudar de Belo Horizonte. Ainda estou me adaptando a essa cidade maluca.”

“Thiago.” Apertei a mão dela talvez um segundo a mais do que o necessário. “Se precisar de alguma coisa, é só bater na porta.”

“Eu vou lembrar disso.”

Ela sorriu. Era um sorriso largo, de quem está acostumada a conquistar sem esforço. Os olhos eram castanho-escuro, quase pretos, com cílios tão longos que pareciam pincéis. O elevador parou no quinto andar e ela saiu sem olhar para trás, mas eu senti o perfume dela ocupar o espaço vazio — algo floral, talvez jasmim misturado com baunilha.

Fiquei pensando naquele perfume por três dias seguidos.

O Churrasco de Sexta

Dona Iracema, do 301, organizava um churrasco no terraço toda primeira sexta do mês. Era uma tradição do prédio — carne, farofa, caipirinha e fofoca. Quando cheguei naquela sexta, com minha garrafa de cerveja e meu silêncio habitual, a primeira coisa que vi foi Lídia sentada na beira do muro, os pés descalços balançando no vazio, uma taça de vinho tinto na mão.

O terraço tinha vista para a Lagoa. O sol estava se pondo, transformando a água num espelho de laranja e rosa. O vento soprava os cabelos dela para trás, e ela os prendia atrás da orelha com dois dedos, de um jeito que parecia choreografado.

“Thiago, 402.” Ela me viu e fez um aceno com a taça. “Vem sentar aqui.”

“Não vou cair desse muro?”

“Confia em mim.”

Sentei ao lado dela. De perto, percebi que a camiseta era cortada na diagonal, expondo a clavícula e o início de um ombro. A pele era morena clara, com uma pequena tatuagem de uma lua crescente na parte interna do braço esquerdo.

“Gostou do churrasco?” Ela perguntou.

“É sempre a mesma coisa. Dona Iracema faz a melhor picanha do bairro, mas as conversas são sempre sobre preço de açúcar e problema de encanamento.”

Lídia riu. Era uma risada baixa, que vinha do peito, e fez meu estômago apertar.

“E o que você prefere conversar sobre?”

“Não sei. Algo que não me faça sentir que tenho sessenta anos.”

“O que você tem, então?”

“Trinta e dois. E a sensação de que a vida está passando devagar demais.”

Ela me olhou com uma intensidade que me desconcertou. Os olhos escuros reflectiam o último sol do dia, e por um instante eu não soube se ela estava flertando ou apenas sendo curiosa.

“Trinta e dois é a idade em que os homens começam a ter pressa.” Ela disse, bebendo um gole do vinho. “Eu tenho vinte e oito, e minha pressa é diferente. Quero desacelerar.”

“Desacelerar?”

“Passar anos correndo atrás de prazos, de metas, de aprovação. Em Belo Horizonte eu trabalhava doze horas por dia num escritório de advocacia. Vim para o Rio porque precisei lembrar o que é sentir o vento na cara.”

O vento soprou de novo, mais forte, e eu vi os mamilos dela empinarem por baixo da malha fina da camiseta. Ela não pareceu notar — ou não se importou.

“E encontrou?” Perguntei.

“Ainda não sei.” Ela me olhou de novo, desta vez com um meio sorriso. “Mas suspeito que estou perto.”

A festa continuou ao nosso redor — risadas, música de rádio, barulho de carvão. Mas ali na beira do terraço, tínhamos uma bolha própria.

O Corredor às Três da Manhã

Passaram-se duas semanas. Nesse tempo, Lídia e eu desenvolvemos uma rotina estranha. Encontrávamos no elevador pelo menos três vezes por semana. Trocávamos mensagens sobre delivery — “Viu que o restaurante da esquina tem promoção de lasanha hoje?” Compartilhávamos playlists no Spotify. Ela me mandava fotos do pôr do sol que via da janela dela, eu mandava fotos da chuva que via da minha.

Era amizade, claro. Amizade com perfume de jasmim e risadas que apertavam o estômago.

Naquela sexta, depois de mais um churrasco no terraço, fomos até o apartamento dela para um vinho. A conversa fluiu como sempre — livros, filmes, viagens, sonhos frustrados. Ela contou sobre o noivo que quase teve em BH, sobre a pressão da família, sobre a decisão de largar tudo e recomeçar.

“Você é corajosa.” Eu disse.

“Corajosa é eufemismo para irresponsável.” Ela riu. “Mas prefiro ser irresponsável e feliz do que responsável e morta por dentro.”

Era quase meia-noite quando eu me levantei para ir embora. Ela me acompanhou até a porta, e quando virei para dizer boa noite, estávamos tão perto que eu podia contar os grãos de luz no iris escuro dos olhos dela.

A porta se fechou entre nós. Eu desci as escadas porque não tinha paciência para o elevador.

Às três da manhã, um barulho me acordou. Bati na parede, convencido de que era o vizinho do lado. Mas o som veio de cima — do apartamento de Lídia. Era uma batida rítmica, quase musical. Coloquei o ouvido na parede e percebi que era someone caminhando. Ou dançando.

Meus pés me levaram até a porta dela antes que meu cérebro pudesse argumentar. Bati duas vezes.

A porta se abriu. Lídia estava com os cabelos soltos caindo pelos ombros, uma camiseta que chegava até a metade da coxa, e nada mais que eu pudesse ver. Os pés descalços no piso frio do corredor.

“Thiago?” Ela franziu a testa, mas sem surpresa. “O que você está fazendo aqui às três da manhã?”

“Eu ouvi barulho. Vim verificar se estava tudo bem.”

“Eu estava dançando.” Ela disse, como se isso explicasse tudo. E de certa forma explicava.

“Dançando?”

“Não consigo dormir. Quando não consigo dormir, eu danço. Aconteceu de você ouvir.”

O corredor estava iluminado apenas pela luz amarela da lâmpada de emergência. Ela estava de pé na soleira, e eu estava a menos de meio metro. O perfume de jasmim envolvia tudo.

“Posso ver?” Perguntei, sem pensar.

“Ver o quê?”

“Você dançando.”

Ela me olhou por um longo momento. Algo naquele olhar me lembrou de outros encontros que começam com uma decisão impulsiva à noite. Depois abriu a porta e recuou um passo.

“Entra. Mas não me interrompe.”

A Música que Restou

O apartamento de Lídia era o espelho do meu — mesmo layout, mesmo tamanho — mas completamente diferente. Onde eu tinha móveis funcionais e paredes nuas, ela tinha plantas, tapetes persas, quadros de arte abstrata, e uma vitrola no canto da sala. A luz era de abajures, todos acesos, lançando sombras quentes nas paredes.

Colocou um disco — jazz, algo lento com saxofone e piano — e começou a se mover.

Eu me sentei no sofá e assisti. Ela dançava com os olhos fechados, os braços subindo e descendo como se o ar tivesse peso e textura. O corpo se contorcia em curvas lentas, a camiseta subindo e descendo com o movimento, revelando e escondendo a coxa por turnos. Era a coisa mais erótica que eu já tinha visto, e não havia nada de explícito nela — só a absoluta entrega de um corpo que se conhecia e se expressava.

A música mudou para algo ainda mais lento. Lídia abriu os olhos e caminhou até mim. Estendeu a mão.

“Dance comigo.”

“Eu não sei dançar.”

“Ninguém sabe dançar. A gente apenas se move.”

Aceitei a mão dela e levantei. Ela colocou meus braços ao redor da cintura dela e encostou a testa no meu peito. Começamos a balançar devagar, sem ritmo definido, apenas o peso de dois corpos se ajustando um ao outro.

Senti o calor dela através da camiseta fina. Senti os seios pressionarem contra o meu peito a cada respiração. Senti as coxas dela roçando nas minhas. O saxofone gemia na vitrola como se estivesse gritando de ciúmes.

“Thiago.” Ela disse, a voz baixa, quase um sussurro contra a minha garganta.

“Hmm?”

“Para de pensar.”

Ela ergueu a cabeça e me beijou.

Não foi um beijo suave nem exploratório. Foi determinado. Os lábios dela eram macios, mornos, e tinham gosto de vinho e algo adocicado que eu não consegui identificar. Minhas mãos, que estavam na cintura dela, deslizaram para as costas, puxando-a contra mim. Ela soltou um suspiro na minha boca, e aquele som — o suspiro de uma mulher que queria ser tocada — eliminou qualquer hesitação que restava.

Minha mão subiu pela coluna dela, senti a textura da camiseta, a ausência de sutiã, o calor da pele. Ela arrepiou quando meus dedos tocaram a nuca e se prenderam nos cabelos. A beijei com mais força, língua contra língua, e ela respondeu com a mesma fome.

“A porta.” Ela murmurou entre beijos.

Eu a empurrei suavemente até a porta, fechei sem olhar, e a prens contra a madeira. Ela envolveu as pernas ao redor da minha cintura e eu a sustentei pelas coxas — firmes, quentes, lisas. A camiseta dela subiu até a cintura, e minhas mãos tocaram a parte nua das nádegas dela por um segundo antes que ela se desfizesse do tecido de uma vez.

Ela ficou sem camiseta, sem calcinha, apenas a pele morena e a luz dos abajures. Os seios eram médios, perfeitos, com mamilos escuros e arrepiados. Eu os cobicei com as mãos, senti o peso, a maciez, e ela inclinou a cabeça para trás e soltou um gemido que não tentou esconder.

“Vamos para o quarto.” Ela disse, a voz rouca.

Carreguei-a. O quarto era pequeno, com uma cama king coberta de lençóis brancos e travesseiros dispersos. A janela dava para a vista da lagoa, agora apenas um reflexo negro com luzes distantes.

Deitei-a na cama e a olhei. Ela me olhou de volta, os olhos brilhando na penumbra.

“Você é linda.” Eu disse.

“Para de falar e vem aqui.”

Tirei minha camiseta e caí sobre ela. O contato da pele com a pele foi um choque elétrico — o calor dela, a textura, o cheiro. Comecei a beijar o pescoço dela, descendo pela clavícula, o espaço entre os seios, a barriga plana, o umbigo. Ela enroscava os dedos nos meus cabelos e gemia baixinho, como se estivesse guardando cada som como um segredo.

Quando cheguei entre as pernas dela, ela abriu os joelhos e eu vi que estava completamente molhada. O cheiro era intoxicante — musk, feminilidade pura, desejo concentrado. Passei a língua pelo centro dela uma vez, e ela arqueou as costas da cama com um gemido alto.

“Thiago, por favor…”

Não a fiz esperar. Subi pelo corpo dela, beijando cada centímetro que encontrava, e quando entrei dentro dela, ambos soltamos o ar ao mesmo tempo. Ela era apertada, quente, e cada movimento gerava uma fricção que me fazia ver estrelas.

Os sons que ela fazia — suspiros, gemidos, o ritmo da respiração acelerando — eram a trilha sonora mais bonita que eu já tinha ouvido. Ela riscava minhas costas com as unhas, apertava meus glúteos com as mãos, me puxava para mais fundo a cada thrust.

A velocidade aumentou. O ritmo ficou mais urgente. A cama batia na parede — o mesmo som que me acordou meia hora antes. Os abajures tremiam com o impacto. Eu senti o orgasmo se aproximando como uma maré e tentei segurar, quis que durasse para sempre, mas o corpo dela se contraiu ao meu redor num espasmo que me levou junto.

Gozei dentro dela com um gemido que não reconheci como meu. Ela continuou se movendo, prolongando o momento, até que ambos ficamos sem fôlego.

Collapsei ao lado dela, a testa contra a nuca suada, os corpos colados pela transpiração e pela gravidade daquele momento.

A Manhã Seguinte

Acordei com a luz do sol entrando pela janela. A lagoa estava prateada, sem nuvens, sem vento. O corpo de Lídia estava enroscado no meu, uma perna sobre a minha, o braço sobre o peito. Ela respirava devagar, profundamente, como quem dorme sem sonhos.

Fiquei observando-a. A tatuagem da lua crescente no braço, o formato dos lábios entreabertos, os cílios longos que tínham parecido pincéis na primeira vez. A luz da manhã revelava detalhes que a noite tinha escondido — uma cicatriz pequena no ombro, uma leve assimetria nos olhos que a tornava mais interessante.

Ela abriu os olhos e sorriu. Um sorriso preguiçoso, sem pressa, de quem acordou exactamente onde queria estar.

“Bom dia.” Ela disse, a voz ainda rouca.

“Bom dia.”

“Você dormiu aqui.”

“Parece que sim.”

“Eu sei. Eu não te deixei sair.”

Ela se levantou, apanhando uma camiseta do chão — a minha, descobri — e a vestiu. Foi até a cozinha pequena e voltou com dois copos de água.

“Então.” Ela sentou na beira da cama. “O que a gente faz agora?”

Eu tomei a água, pensando na pergunta. Não era sobre aquela manhã. Era sobre o elevador, o terraço, o corredor às três da manhã. Era sobre o que construímos nos quinze dias desde que ela bateu na minha porta.

“Eu proponho café da manhã no terraço.” Eu disse. “Depois podemos descobrir.”

Ela me olhou por um momento. Depois beijou meu ombro — um beijo leve, quase instintivo — e se levantou.

“Vou vestir uma roupa decente.”

“Não precisa por minha causa.”

“Por causa do porteiro.” Ela riu. “Ele já acha que eu sou promíscua por causa das mudanças.”

Ri também. A risada dela era contagiosa, e mesmo naquela manhã improvável, depois daquela noite, eu sentia que algo se encaixava. Não era perfeito — eu ainda morava no 402, ela no 502, tínhamos rotinas diferentes, passados diferentes, medos diferentes. Mas havia ali uma verdade que os outros prédios, as outras cidades, os outros amores não tinham oferecido. Se você gosta de histórias como Conto Erótico de Vizinhos: A Janela que Não se Fechava, esse reencontro noturno vai te prender.

Uma verdade simples: às três da manhã, quando o mundo está adormecido, às vezes o que a gente precisa é descer um andar e encontrar alguém que também não consegue dormir.

No terraço, com café fresco e pão de queijo que dona Iracema tinha deixado na cozinha comunitária, Lídia sentou ao meu lado — não no muro, desta vez, mas na cadeira ao lado da minha. O vento soprou os cabelos dela e ela prendeu atrás da orelha com dois dedos, exatamente como na primeira vez.

“Thiago.” Ela disse, olhando a lagoa.

“Hmm?”

“Eu acho que encontrei o que vim procurar.”

Não perguntei o quê. Não precisei. O silêncio entre nós já tinha a resposta.

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